Espiral do silêncio, uma realidade inconsciente e opressora da sociedade moderna
- 3 de mar. de 2017
- 3 min de leitura

O termo bem instigante e amedrontador foi teorizado por uma filósofa e política alemã Elisabeth Noelle-Neumann nos anos 70 e parece estar cada dia mais presente no nosso cotidiano, por incrível que apareça.
O objetivo dessa teoria é explicar a razão pela qual as pessoas permanecem em muitos casos, silenciosas, quando tem a quase sensação de que as suas opiniões e filosofias, visão do mundo, percepção e concepção do mundo ou sua idéia de organização social estão em minoria.
A teoria começou a ser estudada na década de 70, com base nas pesquisas sobre efeitos dos meios de comunicação em massa sobre a população. O modelo do conceito de "espiral do silêncio" de Noelle-Neumann baseia-se em três premissas:
As pessoas têm uma intuição ou um sexto-sentido que lhes permite saber qual a tendência da opinião pública, mesmo sem ter acesso a sondagens;
As pessoas têm medo de serem isoladas socialmente, e sabem qual o tipo de comportamento que poderá contribuir para esse isolamento social, tendendo a evitá-lo;
As pessoas apresentam reticências ou até medo em expressar as suas opiniões minoritárias, por terem receio de sofrer o isolamento da sociedade ou do círculo social próximo. Quanto mais uma pessoa acredita que a sua opinião sobre um determinado assunto está mais próxima da opinião pública julgada majoritária, maior probabilidade existe que essa pessoa expresse a sua opinião em público. Então, se a opinião pública mudar, essa pessoa reconhecerá que a sua opinião não coincide já com a opinião da maioria, e por isso terá menos vontade de expressá-la publicamente. À medida que a distância entre a opinião dessa pessoa e a opinião pública aumenta, aumenta também a probabilidade dessa pessoa se calar e de se autocensurar. Os meios de comunicação de massa são um fator essencial do estabelecimento da “espiral do silêncio”, na medida em que formatam a opinião pública, as pessoas que não concordam com a opinião politicamente correta, emanada da comunicação social, entram em “espiral do silêncio” muitas vezes constituindo uma “maioria silenciosa”. Daí o termo.
O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceberem as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabeleça como atitude prevalecente, enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por quase todos. Nessa teoria o importante são as opiniões dominantes, e estas tendem a se refletir nos meios. Sobre essa teoria é importante lembrar que existe um isolamento dos indivíduos no silêncio, quando estes têm opiniões diferentes das veiculadas pela mídia. A Teoria do Espiral do Silêncio ajuda a entender como a mídia funciona em relação à opinião pública e silencia suas ideias, através de três mecanismos pelos quais a teoria influencia a mídia sobre o público: Acumulação, que se refere ao excesso de exposição de determinados temas na mídia; a consonância, que se refere à forma semelhante como as notícias são produzidas e veiculadas e finalmente a Ubiqüidade, que se refere à presença da mídia em todos os lugares.
Portanto se você tem convicção de algo caro leitor... Não tenha receio de expressar suas idéias, e exija o respeito do ouvinte, pois o diálogo é o lubrificante do ser humano para desenvolver um diálogo aprazível, salutar e talvez até angariar mais conhecimento entre os seres humanos.
Não deixe que a espiral do silêncio consiga oprimir suas idéias e te renegar ao isolamento.
Afinal como dizia Raul Seixas... “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.
Foto: internet



Comentários